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Como calcular o preço da diária de locação para festas

A maioria das tabelas de locadora nasce olhando o concorrente. Funciona como ponto de partida, e falha como método: o preço do vizinho carrega o custo dele, o acervo dele e o giro dele. Este guia mostra a conta que precisa existir do seu lado.

SG System Solutions Atualizado em 17/08/2026 Leitura de 8 minutos

A conta por trás da diária

Todo preço de locação responde, no fundo, a uma pergunta só: em quantas saídas esta peça se paga, e quanto sobra depois disso? A forma mais simples de escrever isso:

diária = (custo de reposição ÷ locações para se pagar) + custo por locação + margem

Um exemplo aritmético, com números escolhidos só para mostrar a mecânica — não são referência de mercado:

ItemContaResultado
Custo de reposição da cadeirao que você paga hoje para comprar outra igualR$ 120,00
Locações para se pagardecisão sua: em quantas saídas ela devolve o investimento30
Parcela de reposição120 ÷ 30R$ 4,00
Custo por locaçãotransporte rateado, limpeza, quebra média, mão de obraR$ 2,00
Custo total por saída4,00 + 2,00R$ 6,00
Preço com margemcusto + a margem que o seu mercado sustentaa partir de R$ 6,00

O valor final continua sendo validado pelo mercado — você não vai cobrar o dobro do que a região pratica só porque a conta deu isso. Mas agora você sabe uma coisa que antes não sabia: onde está o piso. Abaixo dele, cada locação daquele item consome patrimônio em vez de gerar resultado, e isso só aparece quando chega a hora de repor o acervo.

O erro mais caro é usar o preço de compra antigo

A conta usa o custo de reposição de hoje, não o que você pagou há cinco anos. Locadora que precifica pelo custo histórico se descobre descapitalizada no momento em que precisa comprar de novo: o preço cobria a peça antiga, não a nova.

Giro: por que o mesmo percentual não serve para tudo

É comum aplicar um percentual único (“cobro 5% do valor da peça por diária”) sobre o acervo inteiro. Isso funciona para os itens de alto giro e distorce tudo o resto.

Dentro do mesmo galpão convivem realidades muito diferentes:

Se o item de baixo giro é precificado com o mesmo percentual do de alto giro, ele nunca se paga — e como ele costuma ser o mais caro de comprar, é justamente onde o prejuízo se acumula. A correção é simples de enunciar e trabalhosa de aplicar: o número de “locações para se pagar” precisa ser realista para aquele item, não uma média do acervo.

Para saber o giro real, você precisa do histórico: quantas vezes cada item saiu no último ano. É um dado que a operação gera todo dia e que quase nenhuma locadora consegue consultar — porque ele está espalhado em contratos soltos.

Os custos por locação que quase ninguém soma

A parcela de reposição é a parte fácil. O que costuma ficar de fora:

Higienização e manutenção

Louça lavada, toalha lavada e passada, item retocado. Tem custo de produto, de mão de obra e de tempo — e acontece em toda saída, não de vez em quando.

Quebra e perda média

Uma parte do que sai não volta inteira. Isso não é acidente: é uma taxa estatística do negócio. Se você não a inclui no preço, ela sai da margem — e a margem some sem que se saiba onde.

Mão de obra de separação e conferência

Separar cem taças, conferir na volta, embalar. É trabalho proporcional ao pedido, e é o que faz um pedido pequeno de item miúdo ser proporcionalmente mais caro de operar do que um pedido grande de item volumoso.

Espaço e capital parado

O acervo ocupa galpão o ano inteiro e representa dinheiro investido que poderia estar rendendo. Não precisa virar planilha complexa; precisa entrar na cabeça de quem decide preço, principalmente na hora de comprar item de baixo giro.

Diária, período e o tempo em que a peça fica fora

A festa dura uma noite; a peça fica fora três ou quatro dias. Entrega antecipada, evento, devolução, conferência. Durante todo esse intervalo ela não pode ser locada para mais ninguém — e é esse intervalo, não a duração da festa, que define o que você está de fato vendendo.

Há duas formas comuns de tratar isso, e ambas são legítimas desde que sejam explícitas:

  1. Diária única cobrindo o ciclo. Você cobra uma diária e ela já embute o tempo de entrega e retorno. É o modelo mais usado em festas, porque é o mais simples de explicar ao cliente.
  2. Diárias adicionais para períodos longos. Quando o cliente quer o material por vários dias — feira, exposição, montagem longa —, cobra-se pelo número de diárias, quase sempre com valor decrescente a partir da segunda.

O problema aparece quando a regra não é explícita: o cliente entende que “a diária” cobre a semana inteira, a peça não volta, e o próximo evento fica descoberto. Vale ter isso escrito no contrato e na cotação.

Frete, montagem e o que cobrar à parte

Entrega tem custo próprio, que varia com distância, horário e acesso ao local — e não com o valor do que foi locado. Duas festas com o mesmo orçamento podem ter custos de entrega completamente diferentes: uma no centro, às dez da manhã; outra a quarenta quilômetros, num sítio, às seis da tarde de sábado.

Por isso, cobrar frete separado costuma ser mais justo e mais fácil de defender. Embutir no preço só funciona quando a área de atendimento é pequena e parecida. E montagem — de tenda, de estrutura, de mesa posta — é serviço, não locação: separar as duas coisas na cotação evita que o cliente compare a sua diária com a de quem não monta nada.

Desconto e preço negociado

Desconto faz parte, especialmente em pedido grande ou cliente recorrente. O que quebra a análise não é conceder: é não registrar.

Quando o valor combinado por telefone não vai para o pedido, três coisas se perdem de uma vez:

O mínimo saudável é registrar, em cada pedido, o preço de tabela e o preço praticado. Com isso você consegue responder uma pergunta que decide muita coisa: qual é o meu preço médio efetivo por item — que costuma ser bem menor do que o da tabela.

Quando revisar a tabela

Duas ocasiões, e a segunda é a esquecida:

  1. Quando o custo de reposição muda. Reajuste de fornecedor, câmbio, frete de compra. É o gatilho óbvio.
  2. Quando o giro muda. Um item que era de baixo giro e virou febre pode ter a diária revista para baixo, ganhando volume; um item que parou de sair precisa ser reavaliado — às vezes o certo é vender a peça, não insistir na locação.

Nos dois casos, a informação que sustenta a decisão é a mesma: quantas vezes cada item saiu, e por quanto.

Como isso funciona no N-Sic

O N-Sic guarda o preço de tabela e o valor efetivamente praticado em cada item de cada pedido — então dá para ver o preço médio real, não só o da tabela. O histórico de cada produto mostra quantas vezes ele saiu, e a curva ABC e o ranking de produtos apontam quais itens concentram o resultado e quais só ocupam galpão. É a base para decidir preço e para decidir compra de acervo novo.

Ver o painel de gráficos de gestão →

Perguntas frequentes

Como calcular o valor da diária de aluguel de mesas e cadeiras?

Comece pelo custo de reposição da peça e decida em quantas locações ela deve se pagar. Some a esse valor os custos que existem a cada saída — transporte, higienização, quebra média, mão de obra — e depois a margem. O preço final é validado pelo mercado, mas essa conta é o que diz se ele cobre o negócio.

Quantas locações um item precisa dar para se pagar?

Depende do giro do item, e o giro varia muito dentro do mesmo acervo. Cadeira e mesa saem em quase todo evento; peça de decoração específica sai poucas vezes por ano. Por isso o mesmo percentual aplicado a tudo distorce: o item de baixo giro precisa de diária proporcionalmente maior.

Devo cobrar frete separado ou embutir no preço?

Separado costuma ser mais justo e mais defensável, porque o custo de entrega varia com distância, horário e acesso ao local, e não com o valor do que foi locado. Embutir só funciona quando a área de atendimento é pequena e homogênea.

Como decidir um desconto sem perder dinheiro?

Sabendo o piso de cada item — o valor abaixo do qual aquela locação deixa de cobrir o custo — e registrando o desconto concedido no pedido. Desconto combinado por mensagem e não registrado impede qualquer análise depois.

De quanto em quanto tempo revisar a tabela de preços?

Sempre que o custo de reposição mudar de forma relevante, e pelo menos uma vez por ano. Tabela antiga é um problema silencioso: o preço continua parecendo bom enquanto a peça nova já custa muito mais do que custava quando ele foi definido.

Vale a pena ter preço diferente para cliente que revende, como buffet e cerimonialista?

Costuma valer, porque esse cliente traz volume e recorrência — o que muda o giro do acervo. O cuidado é o mesmo do desconto: a condição especial precisa estar registrada como política, não como acordo verbal com uma pessoa, senão ela se perde quando quem negociou sai.

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